Case de Sucesso: Como a Sistematização de Plantio Dobrou o Tiro Médio e Recuperou 13,70 Hectares em uma Única Safra

A unidade sucroenergética do Grupo Balardin no interior de São Paulo, chegou à Geographic Agro com um histórico conhecido pela equipe técnica: tiro médio de 718 metros, número de manobras crescendo safra a safra e rendimento de colhedora estagnado apesar de investimentos contínuos em manutenção e treinamento de operadores.

Nenhum relatório de safra chamava o problema pelo nome certo. O custo de colheita por tonelada subia lentamente, o tempo de safra se estendia um pouco mais a cada ciclo e a manutenção das colhedoras consumia orçamento crescente — mas a análise parava no equipamento e no operador. A geometria do talhão nunca era investigada.

Os talhões da fazenda tinham sido configurados ao longo de décadas de decisões avulsas: carreadores abertos quando necessário, linhas de plantio seguindo o que era conveniente em cada ciclo de reforma, sem levantamento topográfico que guiasse o traçado. O resultado era uma malha geométrica que forçava a colhedora a manobrar a cada 718 metros em média — muito abaixo do potencial operacional do equipamento e muito abaixo do que a extensão física da área permitiria com linhas bem orientadas.

Um tiro médio de 718 metros significa que a colhedora passa mais de 25% do tempo em manobras — freando, girando, reposicionando e acelerando — em vez de cortando. Em uma safra com centenas de hectares, esse tempo acumulado representa um volume expressivo de toneladas não colhidas e custo operacional sem retorno.


A Geographic Agro iniciou o projeto com o levantamento topográfico completo da área utilizando o Matrice 350 RTK com sensor LiDAR, capturando 1,2 milhão de pontos por segundo com precisão centimétrica via correção RTK em tempo real.

O diferencial crítico do LiDAR nesse projeto: a soqueira de cana estava em campo quando o levantamento foi realizado. O sensor LiDAR penetrou a vegetação e capturou a superfície real do solo embaixo da soqueira — com a mesma precisão que teria em área limpa. Nenhuma câmera RGB convencional conseguiria esse dado sem aguardar a colheita.

O MDT (Modelo Digital de Terreno) gerado com resolução de grade de 20 cm e RMSE vertical de ±3 cm revelou o que a inspeção visual de campo não conseguia mostrar: variações de relevo que estavam forçando linhas de plantio subótimas, carreadores posicionados em locais que consumiam área produtiva sem necessidade operacional real e um sistema de drenagem que não correspondia ao fluxo hídrico natural do terreno.

O diagnóstico foi claro: a geometria da fazenda estava operando muito abaixo do potencial físico da área. As linhas podiam ser muito mais longas. Os carreadores podiam ser menos. O tiro médio podia ser muito maior.

Com base no MDT, a equipe técnica calculou o tiro médio projetado após a sistematização: 1.472 metros — mais do que o dobro do tiro médio atual. Esse número foi apresentado à gestão da fazenda antes de qualquer execução. Era a base da decisão de investimento.


Com o diagnóstico concluído e o projeto geoespacial validado com a gestão da fazenda do Grupo Balardin, a Geographic Agro executou o redesenho completo da geometria da área.

EtapaO que foi feitoEquipamento / FerramentaResultado
1Diagnóstico topográfico e levantamento LiDAR da áreaMatrice 350 RTK + sensor LiDAR — 1,2 mi pts/segundo, precisão centimétricaNuvem de pontos densa (.las) com dado real do solo sob a soqueira
2Processamento e geração do MDTLAStools, CloudCompare, ArcGIS Pro — grade de 10–25 cm, RMSE ≤5 cmMDT com precisão centimétrica — base do projeto geoespacial
3Projeto de linhas, carreadores e curvas de nívelSoftware de geoprocessamento agrícola + validação com a gestão da fazendaNovo layout geométrico da área com tiro médio projetado de 1.472 m
4Compatibilização e entrega dos arquivosFormatos ISOXML e shapefile compatíveis com o sistema de piloto automático da fazendaArquivos importados no terminal do trator e da colhedora
5Acompanhamento pós-implantaçãoVisita técnica na primeira safra após a reformaTiro médio real de 1.472 m confirmado — aderência total ao projeto

O redesenho das linhas de plantio foi orientado pelo MDT para maximizar o comprimento contínuo de corte — o que significa linhas mais longas, menos interrompidas por carreadores desnecessários, orientadas de forma a respeitar o relevo e o escoamento hídrico do terreno.

A reconfiguração do sistema de carreadores foi uma das decisões de maior impacto financeiro do projeto: vários carreadores existiam por inércia histórica, não por necessidade operacional real. Eliminá-los e reposicioná-los devolveu 13,70 hectares de área produtiva à lavoura — hectares que estavam servindo de via de trânsito em posições que não eram as mais eficientes para o fluxo de máquinas.

Os arquivos do projeto foram entregues compatíveis com o sistema de piloto automático da fazenda — importados no terminal do trator antes da reforma de soqueira e do replantio. O plantio na nova geometria aconteceu com o piloto automático guiando pela linha projetada, garantindo aderência centimétrica ao projeto desde a primeira linha plantada.


Os resultados foram medidos na primeira safra completa após a implantação do projeto. Todos os indicadores abaixo foram calculados sobre dados operacionais reais da fazenda.

IndicadorAntes do ProjetoDepois do ProjetoVariaçãoImpacto Operacional
Tiro médio de colheita718 m1.472 m+105% (+754 m)Colhedora percorre o dobro sem manobrar
Manobras por safraBaseline–1005 manobrasEliminadasRedução direta de tempo ocioso e consumo de combustível
Área produtiva recuperada+13,70 haReconfiguração de carreadoresHectares antes ocupados por carreadores voltaram a produzir
Rendimento da colhedoraBaseline+6,31%Só pelo tiro médioMais toneladas colhidas na mesma janela de safra, sem novos equipamentos

O ganho de 6,31% no rendimento da colhedora merece destaque: esse número foi calculado isolando apenas o efeito do aumento do tiro médio. Não foram incluídos a redução de combustível pelas 2.500 manobras a menos por safra, o menor desgaste mecânico das colhedoras, a receita adicional da área recuperada com os carreadores ou os benefícios da drenagem melhorada. É o piso do retorno, não o teto.

Para uma operação de cana com 500 hectares colhendo 80 toneladas por hectare, um ganho de 6,31% no rendimento da colhedora representa aproximadamente 2.524 toneladas adicionais por safra — sem qualquer mudança de insumo, variedade ou tecnologia de aplicação. Apenas geometria.


O case do Grupo Balardin não é um resultado excepcional. É o resultado esperado quando um projeto de sistematização é executado com os dados corretos — levantamento LiDAR de precisão centimétrica, MDT com RMSE certificado e projeto geoespacial validado com o produtor antes da execução.

O que torna os números verificáveis e relevantes para outros produtores é a origem dos dados. O tiro médio de 718 metros não foi estimado — foi calculado pelo histórico operacional da colhedora. O tiro médio de 1.472 metros não foi projetado por estimativa visual — foi calculado pelo MDT com resolução de 20 cm. O ganho de 6,31% não foi projetado com premissas otimistas — foi medido na primeira safra com os mesmos equipamentos, o mesmo operador e as mesmas condições de colheita.

O que mudou foi exclusivamente a geometria.


  • Qual é o tiro médio atual dos seus talhões? Se você não sabe a resposta, esse número não está sendo monitorado — e provavelmente está mais próximo de 718 metros do que de 1.472 metros.
  • Quantas manobras por safra a sua colhedora realiza? Cada manobra custa em média 3 minutos de máquina parada. Com custo de operação de R$ 350/hora*, 2.500 manobras representam R$ 43.750* por safra apenas em tempo de máquina.
  • Os carreadores da sua fazenda foram posicionados por projeto técnico ou por conveniência histórica? Carreadores que existem por inércia — não por necessidade operacional — consomem área produtiva que pode ser recuperada com a reconfiguração.

* Valor utilizado apenas para demonstração – não representa o valor real da redução por safra, podendo ser maior ou menor a depender da situação.

Se qualquer uma das três perguntas não tem uma resposta baseada em dados, o levantamento LiDAR e o diagnóstico topográfico são o próximo passo. Não o projeto de sistematização completo — o diagnóstico. O diagnóstico mostra o tiro médio atual, o tiro médio projetado e o retorno esperado. É a base da decisão de investimento.

A Geographic Agro tem mais de 32 anos de experiência em projetos de sistematização para cana-de-açúcar, soja, milho e pastagens, com portfólio que inclui desde produtores individuais até usinas sucroenergéticas de referência nacional. Tecnologia LiDAR com o Matrice 350 RTK, projeto geoespacial com ART e entrega de arquivos compatíveis com todos os principais sistemas de piloto automático do mercado brasileiro.


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